Dia, Período, Horário e Local
Quarta-Feira, de Março a Junho, de 16 às 19h na sala da Pós-Graduação em Ciência Política no terceiro andar do Bloco O da Universidade Federal Fluminense no Campus do Gragoatá.
O estudo das proximidades e distâncias, representativas, entre as tradições do ceticismo e da dialética nos leva a perceber que nem todo pessimista é cético e nem todo cético pessimista. Mas a despeito dessa aparente obviedade é necessário considerar o estilo e, o que podemos chamar, a circunstância cética da enunciação, mesmo de autores pessimistas que se afastam do ceticismo. A inovação formal parece ser a característica mais marcante da situação enunciativa que faz com que o dogmático não possa sê-lo – a despeito mesmo de sua obra tentar neutralizar o acidente –, ela é anuladora das pretensões dogmáticas dos que por ela foram capturados.
Para tanto, faz-se necessário realizar um esforço de epistemologia cética sobre a percepção dogmática acerca da capacidade de vínculo direito entre a visão, em sua acepção metafísica, e a verdade, ou, de uma suposta separação entre o olho e a verdade. Trata-se de questionar a separação entre a visão e olho. Mas, para isso, de cindir a legitimidade da homologia entre visão e verdade. Por esse motivo não serão estudadas obras que se persuadem da unicidade, mas obras que aderem parcialmente, mas que também agonizam ao rejeitá-la. A ideia é buscar uma metafísica do olho, oposta a da naturalização da verdade, que evidencie que a visão é um efeito da historicidade da verdade e do olho.
Parece-nos que a natureza metafísica do olho é feita da mesma matéria da circunstância cética de enunciação. Ou seja, aquilo que impede que o dogmático possa enunciar o dogmatismo é a mesma forma que impede que a visão possa prescindir da história do olho. Assim, também investigaremos as variações em crise da visão, tal como a cegueira. Temos como indício de que talvez seja a angústia o que impede o dogmático de não admitir a historicidade do olho. Ou, melhor ainda, ela o entrega nos braços da inovação formal. No que concerne diretamente à política: é a história do olho que permite a percepção da crueldade, o que impede o seu aprofundamento. Dessa forma, iniciaremos o curso da mesma forma como terminaremos, indagando se existe na imagem um centro fundamental angustiado, e se o esforço de vê-lo, ao invés de caracterizar algo na imagem que não é imagem, mostra a dialeticidade da imagem. Se a circunstância cética impede que o dogmático seja dogmático, obrigando-o à inovação formal, a angústia impede que a lógica da imagem seja separada da imagem. Trata-se, pois, de uma vitalidade interna à imagem, mas que não se confunde com a paixão humana que a anima. Em outras palavras, a angústia é algo que está nas coisas, mas que não se confunde com as paixões que instituíram a imagem. A angústia seria o repositório da imagem dialética, e não a falência cognitiva que daria lugar à província da essência, em outras palavras, ela seria dependente não das paixões humanas, a não ser para instituí-la ao mesmo tempo, e silenciosamente, à imagem, mas da vitalidade humana. Isso quereria dizer que a natureza humana pode animar o seu mundo de modo acidental à paixão. O mundo humano poderia ser animado não só pela passionalidade, mas pelo gosto pelo mundo humano. A angústia mostraria que o mundo humano é animado também quando se o assiste como algo que se anima a si próprio.
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